sábado, 2 de abril de 2016
Reticências.
Um Filme
Um dia
Uma música
Um namoro.
Tudo isso só é bom quando a gente torce para não acabar.
Que os dias sejam assim.
Intermináveis...
sábado, 26 de setembro de 2015
Ruas de
Fogo
Ruas de fogo é novo livro do
camarada Alessandro Buzo, leitura fácil e extremante agradável.
Trata-se de uma série de contos e crônicas,
na verdade 16 histórias. A leitura se torna ainda mais prazerosa, uma história
mais legal que a outra que traz a tona a realidade da periferia e dos
periféricos assim como ela é, sem exageros ou estereótipos.
Se fosse apontar umas das histórias
que mais gostei seguramente estaria sendo injusto com outra, e pra não cometer
esse desatino digo com certeza que o livro é bom como um todo, altamente recomendável....Vale
muito conferir.
Das 12 obras escritas pelo autor eu
conheço e tenho algumas, dentre elas estão na minha biblioteca eles:
Guerreira.
Favela toma conta.
Favela toma conta 2.
Ruas de Fogo.
Esses escritos pelo Buzo.
Li também livros organizados ou
como participação como o caso do Eu sou favela organizado pela Paula Anacoana e
sem falar no livro que tive a honra de Participar que é o POETAS DO SARAU
SUBURBANO VOL 3.
Enfim, me acho um cara privilegiado
por ler esses livros e mais alguns que
não foram citados, porém todos com a mesma relevância dos demais.
A literatura realmente salva,
liberta, abre caminhos e rompe com paradigmas que carregamos ao longo da
caminhada.
Eu mesmo sou exemplo disso, aprendi
pra porra de uns tempos pra cá.
Mano, parabéns por mais essa obra e
sucesso.
Ruas de fogo vale muito ser
conferido. Quem ainda não tem vale muito a pena.
Bora conferir galera.
sexta-feira, 24 de julho de 2015
domingo, 19 de julho de 2015
visão
A sensibilidade e a visão estão aquém dos nossos olhos.
Basta querermos sentir ou ver.
Marcio Costa
17/07/15
quinta-feira, 2 de julho de 2015
E se não sabe brincar, não saia pra rua.
Quando moleque sempre tive bola, isso talvez pelo fato de ser um
brinquedo bem barato.
Insistia e insistia em jogar, mas nunca aprendia. Meu time
perder era comum nos rachas que fazíamos na rua, e nem por isso eu levava a
bola embora.
Saber perder deve fazer parte da nossa vida, da politica e do
jogo.
E se não sabe brincar, não saia pra rua.
Num sai não...
domingo, 31 de maio de 2015
A Morte do Leiteiro.
Texto de Carlos Drummond de Andrade.
Lindo, triste e atualíssimo.
A cidade infelizmente tem dessas coisas, penso que nunca ira mudar.
A Cyro Novaes
Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.
Na mão a garrafa branca
não tem tempo de dizer
as coisas que lhe atribuo
nem o moço leiteiro ignaro,
morados na Rua Namur,
empregado no entreposto,
com 21 anos de idade,
sabe lá o que seja impulso
de humana compreensão.
E já que tem pressa, o corpo
vai deixando à beira das casas
uma apenas mercadoria.
não tem tempo de dizer
as coisas que lhe atribuo
nem o moço leiteiro ignaro,
morados na Rua Namur,
empregado no entreposto,
com 21 anos de idade,
sabe lá o que seja impulso
de humana compreensão.
E já que tem pressa, o corpo
vai deixando à beira das casas
uma apenas mercadoria.
E como a porta dos fundos
também escondesse gente
que aspira ao pouco de leite
disponível em nosso tempo,
avancemos por esse beco,
peguemos o corredor,
depositemos o litro...
Sem fazer barulho, é claro,
que barulho nada resolve.
também escondesse gente
que aspira ao pouco de leite
disponível em nosso tempo,
avancemos por esse beco,
peguemos o corredor,
depositemos o litro...
Sem fazer barulho, é claro,
que barulho nada resolve.
Meu leiteiro tão sutil
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,
cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,
cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.
Mas este acordou em pânico
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,
é tarde para saber.
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,
é tarde para saber.
Mas o homem perdeu o sono
de todo, e foge pra rua.
Meu Deus, matei um inocente.
Bala que mata gatuno
também serve pra furtar
a vida de nosso irmão.
Quem quiser que chame médico,
polícia não bota a mão
neste filho de meu pai.
Está salva a propriedade.
A noite geral prossegue,
a manhã custa a chegar,
mas o leiteiro
estatelado, ao relento,
perdeu a pressa que tinha.
de todo, e foge pra rua.
Meu Deus, matei um inocente.
Bala que mata gatuno
também serve pra furtar
a vida de nosso irmão.
Quem quiser que chame médico,
polícia não bota a mão
neste filho de meu pai.
Está salva a propriedade.
A noite geral prossegue,
a manhã custa a chegar,
mas o leiteiro
estatelado, ao relento,
perdeu a pressa que tinha.
Da garrafa estilhaçada,
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue... não sei.
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora.
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue... não sei.
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora.
A Morte do Leiteiro.
Carlos Drummond de
Andrade.
domingo, 10 de maio de 2015
Carta ao amigo e aos amigos
Ninguém é perfeito, nem mesmo os
amigos que estimamos e amamos muito. De uns tempos pra cá tenho andado muito
com certo amigo, e bem verdade percebi alguns defeitos no cara depois que
estabelecemos vínculos, defeitos esses não muito relevantes, mas aos olhos de
alguns sim. Tô nem aí, nem dou bola para o que dizem, o importante é a
fidelidade que o cara tem comigo, e como tem fidelidade, me conhece como
ninguém.
Conhece-me tanto que do nada me faz
lembrar de maneira saudosa passagens que tive ao longo dos meus quarenta e um
anos, que aliás tem sido muito bom diga-se de passagem, depois que comecei a
andar com esse camarada comecei a paquerar, a namorar mais frequentemente uma
literatura pra mim diferente, a “Marginal” e também a frequentar saraus, coisa
que aliás é o que tenho mais gostado de fazer por esses tempos.
Nesses Saraus, tenho feito várias outras
amizades, e sem essa de ciumeira por parte do amigo, normalmente ele me
acompanha nessas paradas, e digo mais, por conta dele é que tenho descoberto
esse mundo que até pouco eu não conhecia nem tampouco gostava, pra mim era um
universo que não me pertencia, sequer imaginava que pudesse passar a gostar.
Conheci, gostei e virou cachaça, mas essa da boa, sem ressaca, só alegria.
Pois bem, amigo que é amigo não se
deve esquecer do dia do aniversário, por isso escrevo-lhe essas poucas e mal
escritas palavras para te dizer a sua importância e o bem que tem me feito
desse um ano que convivemos diariamente.
Justa Palavra é o seu nome. Amigo,
com defeito ou não, às vezes engraçado, às vezes pode até fazer pensar e às
vezes difícil me livrar de ti, mas isso tem problema não, aos que te conheceram
e gostaram de ti é o que vale. Aqueles que ainda não tiveram a oportunidade
ainda tá em tempo e não sabem o que estão perdendo.
Bom, sou suspeito, pois amigo que é
amigo não deixa o outro na mão, por mais defeito que pudemos ter o que vale é a
intensão que um tem com o outro.
Pra mim você é o cara.
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