terça-feira, 13 de janeiro de 2015
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Dia dos Professores
Hoje deveria ser um dia de comemoração, mas infelizmente
não será. Como de hábito fico com a internet aberta quando estou em casa
bisbilhotando nas redes sociais, verificando emails ou lendo alguma coisa que
me chame atenção ou que desperte algum interesse.
Dia dos professores, mensagens de felicitações e
palavras de incentivos não faltaram e isso é super bacana se tratando do meu
trabalho que bem verdade não tem sido fácil, dificuldades é o que não falta
nesse ofício.
Pois bem, na verdade o que deveríamos comemorar, ou
melhor, o que eu deveria comemorar não será nesse ano. Pela manhã me deparei
com uma noticia que me deixou deveras triste.
Essa notícia me veio como uma bomba. Nesse momento
me vieram várias lembranças da infância e adolescência. Lá iniciei meus estudos
e fui alfabetizado, fiz boa parte dos meus amigos, minhas paqueras infantis,
namoros juvenis, brigas com professores, visitas constantes a sala da diretora
por conta do meu comportamento amigável com colegas. Lembrei de tudo que
passara naquele recinto, formatura do ensino fundamental, médio, enfim, minha
vida escolar e essa escola se resumem a uma só. Não tem um sem o outro, minha
história sem essa escola não existiria, assim como de muitos dos meus colegas.
A notícia por si só para alguns não seria tão
relevante como foi e esta sendo pra mim, não porque eu seja mais interessado ou
preocupado com a escola, aliás, quem estudou nela acredito, deva estar com o
mesmo sentimento que eu. Tristeza pelo ocorrido.
Tanto eu como minha família tem uma relação com o
bairro e a escola. Todos os meus irmãos estudaram no colégio, do mais velho ao
mais novo. Tivemos alguns professores em comum, que além de professores, alguns
eu tive a honra de me tornar colega de profissão, afinal depois de muito tempo
acabei também me tornando um professor. E o melhor da história é que fui dar
aula exatamente no lugar de onde havia saído e dado muito trabalho, foi aí que
comecei a acreditar na lei:
Aqui se faz aqui se paga.
Tudo que eu aprontara enquanto aluno eu tive o
retorno quando fui trabalhar lá, quase desisti do ofício por várias vezes,
lembrei de colegas e ex professores dizendo a mim que quase fui o responsável pela
desistência da carreira de alguns, paguei meus pecados com a mesma moeda e só
agora entendo que juventude e molecada é tudo igual, como aquela música do Belchior,
como nossos pais.
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como Os Nossos Pais...
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como Os Nossos Pais...
Enfim, nessa escola iniciei tudo que há de melhor em
mim, conheci o melhor que podia conhecer, aprendi o melhor que podia aprender,
e lembro do melhor do que eu possa lembrar.
Por sorte parece que só queimou parte da biblioteca
e nada de mais grave, o importante mesmo é a história que ficou. Essa nem as
chamas desse incêndio pode destruir.
Aos meus familiares, amigos e colegas de profissão
que fazem parte desse colégio.
Viva o Dia dos Professores.
domingo, 20 de julho de 2014
Dia do Amigo.
Parece-me que hoje é dia do amigo, dia, aliás,
bacana de se comemorar ou comentar, pois em se tratando deste assunto nunca
faltarão lembranças a serem contadas. Sempre tem um episódio ou outro a ser
relembrado.
E como amizade não é uma coisa que acontece do dia
para a noite ao longo dessa trajetória vão acontecendo varias histórias,
algumas trágicas, outras alegres, outras engraçadas e outras simplesmente
sinceras e honestas. Essas sim se carregam ao longo da vida.
E é disso que vou falar. Ao longo dos meus quase
quarenta anos fui construindo minha história de amizades com algumas figuras. A
figura em questão já é meu amigo desde a escola primária, como se chamava
naquela época, e isso só faz trinta e dois anos. Pouco né? Pois bem, trinta e
dois anos de amizade e histórias a serem contadas, inúmeras engraçadas, outras
nem tanto, mas uma coisa é certa: sempre com carinho e respeito de ambas as
partes, independentemente das opiniões, essas sempre foram respeitadas. Sempre!
Como é dia de celebrar essa data vou homenageá-lo contando uma de nossas
histórias.
Numa véspera de ano novo, eu e o amigo resolvemos
buscar no serviço aquela que seria sua futura esposa. No caminho, como ainda
era cedo, resolvemos passar no Mercado Municipal de São Paulo para fazermos uma
comprinha. Na verdade, eu queria fazer uma compra. Tinha em mente comprar
alguns pescados para assar, portanto comprei lá os produtos que acredito serem
de procedência.
O sujeito, como não tinha nada em mente para
comprar, resolveu de última hora fazer um agrado para a família e comprou dez
quilos de frango picado no Mercado Municipal. Imagina a fortuna que o cara
pagara por esse frango picado! Uma fortuna! Enfim, fizemos a nossa compra,
comemos os lanches tradicionais do mercadão, o de mortadela e o pastel de
bacalhau, cada um com suas respectivas compras. Eu com um isopor na cabeça para
conservar o frescor dos peixes e ele com duas sacolas de frango na tumultuada,
barulhenta e ensolarada 25 de Março.
O cara reclamava pra caramba, pois havíamos deixado
o carro na Florêncio de Abreu, portanto só a “algumas quadras” dali. No
caminho, de quebra ainda passamos pela galeria Pagé para eu comprar um
guarda-chuva.
Que programa não? Somente amigos verdadeiros
sobrevivem a essa provação. 25 de Março, isopor na cabeça, dez quilos de franco
picado em pleno dia 31 de dezembro. Não é para qualquer um.
Só os fortes e os amigos sobrevivem.
Isso sim que é amizade...
domingo, 29 de junho de 2014
O que eu não quero pra mim eu não faço para os outros
Juro que não queria entrar no
assunto, afinal assistir aos jogos da copa pra mim deveria ser somente
diversão, entretenimento, respeito e tolerância, assim penso ser o esporte, ser
competitivo sim, mas não desleal.
Dentre esses jogos já assistidos
por mim e milhares de outras pessoas, testemunhamos jogadas extraordinárias,
gestos bonitos de jogadores atendendo seus fãs, narrações de locutores
envolventes. Torcedores alucinados vindos de todos os cantos do mundo, enfim,
uma linda festa que sempre tem um espirito de porco.
Infelizmente em toda festa tem
aquele inconveniente metido a engraçado, sempre com as mesmas piadas sem graça
e intervenções desnecessárias, que só agradam ao piadista ou no máximo a aquele
que o acompanha.
Sabe aquele sujeito que sempre acha
que tem razão, só os seus são inteligentes ou educados, acham que podem falar o
que pensam só porque estão numa determinada situação? Pois bem, pra mim esses
caras não querem dizer absolutamente nada, a não ser que estão muitíssimos equivocados.
Ter grana, estudar numa determinada escola ou fazer certas faculdades só isso
não é sinônimo de elegância ou educação. Vide o que tem acontecido nos estádios.
Eu mesmo já escrevi sobre certos
comportamentos quando estou no estádio e que até acho engraçado, mas, nem por
isso devemos exagerar no andar da carruagem.
Calma lá, tudo tem limite.
Esse negócio de desrespeitar uma autoridade
com xingamentos de baixo calão, falando palavrões não se justifica. Se temos opiniões
divergentes ou qualquer coisa que o valha que se vá para o embate politico e
não a falta de respeito, isso sim é intolerável, mas tudo bem, vire-se a
pagina, já foi superado.
Supera-se um deslize e acontece
outro, no outro caso pra mim também intolerável foi à vaia ao Hino Chileno. Que coisa chata e mal
educada, sem motivo de ser e deveras deselegante. Qual a razão para ter tal
comportamento? Não se sabe.
Enfim, a Copa das Copas que até
agora tem dado certo pra mim só tem pecado num aspecto:
Esse comportamento estranho por
parte de alguns que se acham melhores que os outros, e que estão acima do bem e
do mal. Que bem é esse que vocês estão pregando?
De verdade não sei, só sei que:
O que eu não quero pra mim eu não faço para os outros.
Fica a dica.
sábado, 21 de junho de 2014
Fufu
Esses jogos da copa estão me
deixando cheio de ideias e lembranças, não sei se por conta de eu não ter nada
para fazer ou porque sou muito a toa mesmo.
Times de todas as nacionalidades,
culturas e costumes diversos compartilhados, enfim, tudo para inspirar uma
mente como a minha.
Meses antes de acontecer a Copa,
num desses feriados aqui em São Paulo, eu e a família resolvemos almoçar fora. Queríamos
algo diferente e, por isso pesquisei na internet um restaurante Africano que
fica no centro da cidade, liguei e falei com um atendente chamado Victor, feito
isso partimos ao restaurante que fica exatamente na Rua Barão de Limeira, lugar
bacana, acima de qualquer suspeita e o melhor de tudo é o saudosismo que trás a
mim e minha esposa, nos conhecemos nessa rua.
Feita a pesquisa fomos conhecer e
matar a fome que já nos assombrava, devido a hora e famintos, pois havia
passado bastante tempo do horário que estamos acostumados almoçar.
Chegamos ao local desejado,
avaliamos se entraríamos ou não no local, enquanto decidíamos fomos surpreendidos pelo simpático garçom,
perguntei a ele se era o Victor e respondeu que sim, logo ele nos acomodou, eu,
esposa e filho numa mesa colada ao balcão, pedimos umas bebidas e em seguida
trouxe o cardápio.
Como gosto de valorizar a conversa,
pedi ao garçom que me indicasse o prato mais regional que tivesse no
restaurante, ele não diferente de mim também valoriza um assunto, respondendo:
- Tudo aqui é bom, tudo regional.
Voz bonita do sujeito, um sotaque francês,
provavelmente por conta da ocupação francesa pós primeira guerra em Camarões, sua Terra mãe.
Continuamos a ver o cardápio enquanto
Victor atendia outras mesas, vários pratos, muita banana da Terra, mandioca,
milho, boldo, esse último achamos estranho, aqui nosso costume com essa folha é
usar para fins medicinais e não como alimento, enfim, curioso.
Chamamos novamente o garçom ainda com
dúvidas sobre o que comeríamos, insisti que ele me indicasse o que achava de
melhor, o cara já meio sem jeito ou de saco cheio comigo respondeu:
- Você não quer experimentar o meu
Fufu, é muito gostoso.
Fiquei sem graça com a indicação do
Victor, não tinha visto esse prato no cardápio, e como tinha de responder algo
para ele dei de pronto:
- Você não acha que ainda é cedo?
Acabamos de nos conhecer!
Minha esposa me olhou firmemente me
condenando e fazendo imediatamente a pergunta ao Victor.
- Como é esse prato Victor? Me
explica aí vai.
Victor sem entender nada explicou
calmamente do que se tratava o Fufu, na ocasião tinha Fufu de mandioca, milho e
arroz, decidimos então pelo de arroz, parecia algo mais familiar para encarar.
Dada a apresentação do prato
justifiquei para a minha esposa a resposta que dei ao Victor.
- Andréiha, você não lembra quando
ainda estava grávida um convite que recebemos para entrar numa casa de espetáculos
aqui na Rua Aurora?
Esse convite se dera quando passávamos
na frente de um inferninho.
- Vai saber, não conheço a cultura
desses caras, vai que era uma proposta daquelas!
Ela respondeu:
- Deixa de bobagem, você sempre com
essas coisas sem graça, que absurdo.
Demos risadas, lembramos episódios engraçados
que passamos na região, encontramos antigos amigos e almoçamos o excêntrico
prato de Gana, o polêmico e saboroso Fufu.
E não é que o Fufu é bom...
Observação:
No restaurante trabalham pessoas de
quatro nacionalidades diferentes da África.
Camarões.
Senegal.
Gana.
Nigéria.Eis o Victor
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Bola fora.
Prudência, responsabilidade e bom senso nunca é
demais.
Vira e mexe me deparo com essas situações e longe de
mim querer questionar ou corrigir certos comportamentos, eu mesmo sou
inoportuno por demais, amigos e familiares que o diga.
Na falta do que fazer por conta da minha enfermidade
“Pé quebrado” comecei a lembrar de episódios que eu passara ou testemunhara.
Bola fora todos nós cometemos, e eu pra variar tenho sempre alguma no
repertório.
A bola fora em questão aqui não é minha nem tão pouco
de algum conhecido próximo, e sim de um grande compositor, escritor, dramaturgo
e aniversariante de hoje o Chico Buarque que esta completando 70 anos.
Juntando essa grande data ao fato do Chile ter
eliminado a última campeã da Copa me ocorreu uma lembrança acerca de um texto
que eu lera há alguns anos.
O texto em questão é:
“O encontro esperado com Chico Buarque.”
Quando li o texto pela primeira vez achei
espetacular, adoro coisa errada, bola fora e comentários inoportunos, e o mais
legal é que personalidades também cometem esses deslizes.
E qual foi o deslize?:
Chico numa ocasião recebeu o grande escritor Chileno
Antonio Skármeta autor da obra “O Carteiro e o Poeta”, encontro desejado por
ambos e intermediado por um amigo em comum.
Lembro me que a conversa se dera num restaurante em
Ipanema, no Jantar estavam Chico, Skármeta e sua esposa, como não se conheciam
pessoalmente fizeram as devidas apresentações e confidenciaram o interesse um
no outro.
Skármeta confidenciara como surgiu seu interesse na esposa
e que, além disso, a bela loira tinha a coleção completa dos discos do Chico. Acho
que era mais ou menos isso.
Enfim, conversaram sobre música, caipirinha e
futebol, esse último, aliás, de muito interesse por parte do Chico, afinal é um
torcedor fanático do esporte, tem um time chamado Politheama e também torce
pelo tricolor carioca Fluminense.
Dado ao ritmo da conversa como não poderia deixar de
ser começaram a falar sobre posicionamento de futebol e Skármeta arriscou:
“— Eu sei, Chico, que você gosta
de futebol. E qual o time do qual você mais gosta?
A resposta veio envolta num
sorriso de indisfarçável orgulho:
— Eu tenho um time de
futebol, o Politheama. Mas também torço pelo Fluminense.
A curiosidade do chileno
concentrou-se em alguns aspectos da relação entre escritores e futebol. Por que
será que ao contrário do que ocorre entre os músicos há tão poucos escritores
que jogam futebol? O primeiro exemplo saltou em uníssono: Albert Camus. Chico
vetou, enfático:
— Ele não era jogador de
futebol: era goleiro. E goleiro não é jogador de futebol. Aqui no Brasil,
quando a garotada joga, sobra para o gol quem é perna-de-pau. Aliás, até as
meninas jogam no gol.
— Chico, você joga em que
posição?
— Todas. Menos a de goleiro.
Skármeta bem que tentou defender
os goleiros. Foi fulminado por uma pergunta marota:
— E você, joga em que
posição?
A resposta veio cabisbaixa:
— Goleiro.”
Ficaram todos em silêncio e esqueceram o assunto por
hora, afinal o mal estar e a bola fora foram arremessados como um lateral mal
cobrado, que reversão, continuaram a jantar e falaram sobre outros assuntos.
Pois bem, falta do que fazer, jogos, e ser
inoportuno da nisso, lembranças e homenagens a essas grandes figuras.
Parabéns Chico pelos seus 70 anos.
Parabéns Skármeta pela diplomacia conduzida na
conversa.
E por fim Parabéns ao Chile pelo belo início de copa
eliminando a atual campeã.
Chi Chi Chi Lê Lê Lê.
Viva Chile!
Estado de São Paulo - 1997 Eric Nepomuceno.
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